segunda-feira, 8 de maio de 2017

CHAPTER 07

Brannagh e Dagdan os olharam como se tivessem acabado de encontrar um segundo café da manhã.
Jurian desembainhou a espada, as duas mulheres e o homem, todos jovens, boquiabertos, alternando a atenção dele para os outros. Então, para nós, os olhos se arregalando ainda mais quando notaram a beleza cruel de Lucien.
 Eles caíram de joelhos.
- Mestres e Senhoras. - Eles nos pediram, suas joias de prata brilhando na luz do sol sombreada por meio das folhas. "Vocês nos encontraram em nossa jornada."
O príncipe e a princesa sorriram tão largamente que eu pôde ver seus dentes extremamente brancos.
Jurian, pela primeira vez, pareceu abalado antes de sibilar.
- O que vocês estão fazendo aqui?
A garota de cabelos escuros na frente era adorável, sua pele de mel-ouro corou quando ela levantou a cabeça.
- Viemos habitar as terras imortais; viemos como oferenda.
Jurian voltou os olhos frios e duros para Lucien.
- É verdade?
Lucien olhou para ele. "Não aceitamos oferenda das terras humanas. Muito menos crianças."
Não importava que os três aparentassem possuir somente alguns anos a menos que eu.
- Por que você não vem embora. Disse Brannagh , "e podemos... nos divertir." Ela estava, de fato, apreciando o jovem de cabelos castanhos e a outra garota, de cabelos marromavermelhados, o rosto afiado mas interessante. Do modo que Dagdan olhava para a linda garota na frente, eu sabia que ele, silenciosamente, a reivindicava.
Enfiei-me na frente deles e disse aos três mortais: "Saiam. Voltem para suas aldeias, de volta para suas famílias. Atravesse esta muralha, então todos vocês morrem. Há somente morte para vocês. "
Eles se recusaram, levantando-se, os rostos tensos de medo e admiração.
- Viemos para viver em paz.
- Não há tal coisa aqui. Apenas há morte para a sua espécie.
Seus olhos deslizaram para os imortais atrás de mim. A garota de cabelos escuros corou com o olhar atento de Dagdan. Enxergando apenas a beleza feérica, nenhum predador.
Então eu ataquei.
A muralha era um grito, uma terrível morsa, esmagando minha magia, martelando minha cabeça.
No entanto, lancei o meu poder por meio da brecha, que invadiu suas mentes.

Extremamente difícil. O jovem se encolheu um pouco.
Tão suave, indefesa. Suas mentes cederam como manteiga derretida em minha língua.
Eu vi pedaços de suas vidas como fragmentos em um espelho quebrado, piscando por todos os lados: A de cabelos escuro era uma garota rica, educada, obstinada - desejava escapar de um casamento arranjado e acreditava que Prythian era uma opção melhor. A menina de cabelos marrom-avermelhados não conhecia senão a pobreza e os punhos do pai, que se tornaram mais violentos após acabarem com a vida de sua mãe. O jovem havia se vendido nas ruas de uma grande aldeia, até que os Filhos viessem um dia e lhe oferecessem algo melhor.
Eu agi rapidamente. Ordenadamente.
Eu estava terminado antes de se passarem três batimentos cardíacos, antes que Brannagh mal tivesse tomado fôlego para dizer.
- Não há morte aqui. Só prazer, se desejarem.
Mesmo que não estivessem dispostos, eu queria acrescentar.
Mas os três agora piscavam, recuando.
Contemplando-nos pelo que éramos: mortais, implacáveis. A verdade por trás das histórias.
- Nós... talvez tenhamos... cometido um erro. - Disse o líder, recuando um passo.
- Ou talvez seja o destino - respondeu Brannagh, o sorriso viperino.
Eles continuaram se afastando. Vendo as histórias que eu havia plantado em suas mentes - que nós estávamos aqui para ferir e matá-los, que tínhamos feito isso com todos os seus amigos, os usamos e os descartamos. Mostrei-lhes o naga, o Bogge, o Verme de Middengard; mostrei-lhes Clare e a rainha de cabelos dourados, empalada naquele poste. As lembranças que eu lhes dei, anteriormente ignoradas – mas, agora compreendidas com a gente antes deles.
- Venham aqui - ordenou Dagdan.
As palavras eram como lenha para seus medos. Os três se viraram, as pesadas vestes pálidas oscilando com eles, e fugiram para as árvores.
Brannagh se enrijeceu, como se os comandasse através da muralha atrás deles, mas eu agarrei seu braço e sibilei, "Se você os perseguir, então você e eu teremos um problema. "
A fim de enfatizar, arranhei garras mentais em seu próprio escudo.
A princesa rosnou para mim.
Mas os humanos já tinham ido embora.
Rezei para que tivessem ouvido o outro comando que plantei em suas mentes: Para que pegassem um barco, levassem quantos amigos puderem, e que fugissem para o continente. Que voltassem somente quando a guerra acabasse, e que avisassem o maior número de humanos possível, para que saíssem antes que fosse tarde demais.
Os membros da família Hybern grunhiram em descontentamento, mas os ignorei e procurei um lugar contra uma árvore, resolvendo esperar, não confiando que ficariam deste lado da fronteira.

A realeza retomou o trabalho, andando rente à muralha.
Um momento depois, um corpo masculino posicionou-se ao lado do meu.
Não Lucien, eu percebi com um solavanco, mas não ao ponto de recuar.
Os olhos de Jurian se fixavam no local onde os humanos haviam estado.
- Obrigado. - Ele disse, sua voz áspera.
- Eu não sei do que você está falando. Eu respondi, bem ciente de que Lucien cuidadosamente nos observava, a partir da sombra de um carvalho nas proximidades.
Jurian me lançou um sorriso presunçoso e seguiu Dagdan.

***
Eles levaram o dia inteiro.
O que quer que estivessem inspecionando, o que quer que estivessem procurando, a realeza não nos informou.
E depois do confronto naquela manhã, eu sabia que não o fariam. Eu já havia usado todo o meu estoque de forças naquele dia.
Então, passamos outra noite na floresta, que foi precisamente como eu acabei sentando ao lado de Jurian, diante do fogo, depois que os gêmeos se arrastaram para dentro da barraca e os sentinelas tinham assumido suas posições de vigia. Lucien tinha ido para o rio para obter mais água, e eu assisti a chama dançar entre os troncos, sentindo-a ecoar dentro de mim.
Lançar meu poder através da muralha me deixara com uma persistente e forte dor de cabeça durante todo o dia, mais que uma leve tontura. Não me restava dúvidas de que o sono me reivindicaria forte e rapidamente. No entanto, o fogo estava muito quente e a primavera noturna, de bom grado, o espalharia muito rapidamente, invadindo o espaço escuro e sombrio, entre as chamas e minha tenda.
- O que acontece com aqueles que conseguem atravessar a Muralha? - Perguntou Jurian, o fogo bruxuleando as duras feições de seu rosto, aliviado. 
Forcei o calcanhar de minha bota na grama.
- Eu não sei. Eles nunca voltaram, uma vez que foram. Mas enquanto Amarantha governava, as criaturas que rondavam esses bosques... Eu não acho que terminou bem. Nunca encontrei uma menção de que estivessem em qualquer corte.
- Quinze anos atrás, eles teriam sido açoitados por aquela tolice - disse Jurian. "Nós fomos seus escravos e prostitutas e trabalhadores por milênios - homens e mulheres lutaram e morreram para que nunca tivéssemos de servi-los novamente. No entanto, eles vestem aqueles trajes, desconhecendo o perigo, a história. "
- Cuidado, ou talvez não parecerá o animalzinho de estimação de Hybern.
Um riso baixo e odioso. "É o que você pensa que eu sou, não é? O cachorro dele."
- Qual é o objetivo final, então?
- Tenho assuntos pendentes.
- Miryam está morta.

Aquela loucura surgiu novamente, substituindo a rara lucidez.
- Tudo o que fiz durante a Guerra, foi por Miryam e eu. Para que nosso povo sobrevivesse e um dia fosse livre. E, então, ela me deixou por aquele Príncipe de belo rosto no momento em que priorizei meu povo, ao invés dela.
- Ouvi dizer que ela te deixou porque você se tornou tão concentrado em conquistar informações de Clythia, que perdeu a noção do conflito real.
- Miryam disse-me para seguir adiante e até mesmo fodê-la para a informação. Disse-me para seduzir Clythia até que ela tivesse vendido todos os Hybern e os Leais. Ela não tinha escrúpulos com isso. Nenhum.
- Então, tudo isso é para ter Miryam de volta?
Ele esticou suas longas pernas, cruzando um tornozelo sobre o outro. "É para arrancá-la de seu precioso ninho com alado cretino e fazê-la se arrepender. "
- Você recebeu a chance de viver novamente e é o que deseja fazer? Se vingar?
Jurian sorriu lentamente. "Não é isso que você está fazendo? "
Meses de trabalho com Rhys me fez lembrar de franzir a testa em confusão. "Contra Rhys, eu, um dia gostaria. "
- É o que todos dizem, quando fingem que ele é um assassino sádico. Você esquece que eu o conheci no Guerra. Você esquece que ele arriscou sua legião para salvar Miryam das forças do nosso inimigo. Foi assim que Amarantha o capturou, você sabe. Rhys sabia que era uma armadilha - para o príncipe Drakon. Então Rhys desobedeceu ordens, e marchou com toda a sua legião para pegar Miryam. Por seu amigo, por minha amada - e por aquele Deus Drakon bastardo. Rhys sacrificou sua legião no processo, foram todos capturados e torturados depois. No entanto, todos insistem que Rhysand é perverso. Porém, o homem que eu conheci era o mais decente de todos. Melhor que aquele príncipe fodido. Não se perde essa qualidade, não importa quantos séculos se passem, e Rhys era muito esperto, e poderia difamar o próprio caráter como um movimento calculado. E, ainda assim, você está aqui- sua parceira. O GrãoSenhor mais poderoso do mundo perdeu sua parceira, e ainda não veio reivindicá-la, mesmo enquanto ela está vulnerável no bosque. - Jurian riu. "Talvez, porque Rhysand não a perdeu em absoluto. Preferiu libertá-la sobre nós. "
Eu nunca tinha ouvido essa história, mas parecia tanto com a que meu parceiro contara, que eu sabia que as chamas diante de nós ardiam em meus olhos enquanto eu dizia: "Você adora se ouvir você falar, não é?".
- Hybern matará todos vocês - respondeu Jurian.

***
Jurian não estava errado.
Lucien me acordou na manhã seguinte com uma mão sobre a minha boca, o olho de metal brilhando em aviso. Senti o cheiro um momento depois: o sabor acobreado de sangue.
Recolhemos nossas roupas e botas, e fiz um inventário rápido das armas que havíamos espremido na barraca conosco. Eu tinha três punhais. Lucien tinha dois, bem como uma elegante espada curta. Melhor que nada, mas não muito.

Um olhar em minha direção comunicou o plano: Avaliar a situação de forma casual.
Passado um batimento cardíaco, percebi que talvez aquela fosse a primeira vez que trabalharíamos em conjunto. Caçar nunca havia sido um esforço conjunto, e Sob a Montanha havia sido um de nós olhando pelo outro – nunca um time. Uma unidade.
Lucien deslizou da tenda, os músculos contraídos, prontos para mudar para uma posição defensiva. Ele tinha sido treinado, ele me dissera uma vez – na Corte Outonal e nesta aqui. Como Rhys, optou por palavras para conquistar suas batalhas, mas eu tinha o visto com Tamlin no ringue de treinamento. Ele sabia como lidar com uma arma. Como matar, se precisasse.
Passei por ele, absorvendo os detalhes ao meu entorno, como um homem faminto em uma festa.
A floresta era a mesma. Jurian estava agachado diante do fogo, mexendo as brasas de volta ao estado de alerta, com a expressão dura e pensativa. Mas os sentinelas estavam pálidos quando Lucien caminhou em sua direção. Eu o segui, deslocando a atenção para as árvores atrás de Jurian.
Nenhum sinal da realeza.
O sangue- uma espuma acobreada, sim. Mas misturado com terra e medula e podridão. Morte.
Disparei para as árvores e a relva densa.
- Você está muito atrasada. - Disse Jurian enquanto eu passava por ele, ainda cutucando as brasas. "Eles terminaram há duas horas."
Lucien estava em meus calcanhares enquanto eu atravessava as espinheiras, os espinhos rasgando minhas mãos.
A família real de Hybern não se incomodara em limpar sua bagunça.
Do que restava dos três corpos, suas vestes pálidas e destruídas, como cinzas caídas pela pequena clareira. Dagdan e Brannagh deveriam ter abafado seus gritos com algum tipo de escudo.
Lucien jurou. "Eles atravessaram a muralha ontem à noite. Para caçá-los. "
Mesmo que horas tivessem passado, a realeza feérica era rápida, imortal. Os três Filhos dos Abençoados deveriam ter se cansado depois de correr, deveriam acampado em algum lugar.
O sangue já estava secando na grama, nos troncos das árvores ao redor.
O modo de tortura de Hybern não era muito criativo: Clare, a rainha dourada, e esses três...mutilações e tormentos semelhantes.
Retirei meu manto e o coloquei cuidadosamente sobre os maiores vestígios deles que eu pôde encontrar: o torso do rapaz, arranhado e sem sangue. Seu rosto ainda angustiado de dor.
Chamas aqueceram as pontas de meus dedos, implorando-me para queimá-los, para dar-lhes pelo menos esse tipo de sepultamento. Mas- "Você acha que foi por diversão, ou para nos enviar uma mensagem?"
Lucien pousou seu próprio manto sobre os restos das duas moças. O rosto sério, como eu jamais havia visto.
- Eu acho que eles não estão acostumados a terem algo negado. Eu chamaria isso de birra imortal.
Fechei os olhos, tentando acalmar meu estômago.
- Você não é culpada. - Acrescentou ele. "Eles poderiam tê-los matado nas terras mortais, mas trouxeram aqui. Para declarar que têm poder. "
Ele estava certo. Os Filhos do Abençoados estariam mortos mesmo se eu não tivesse interferido.
- Eles estão ameaçando. - Pensei. "E estão orgulhosos com a culpa." Toquei com os dedos a grama encharcada de sangue. "Nós os enterramos? "
Lucien pensou. "Isto envia uma mensagem - que estamos dispostos a limpar suas bagunças."
Examinei novamente a clareira. Considerei o que estava em jogo.
- Então enviamos outro tipo de mensagem.

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