segunda-feira, 8 de maio de 2017

CHAPTER 02

 
Eu mal tinha escutado qualquer sussurro sobre Jurian nessas últimas semanas – não tinha visto o capitão humano ressuscitado desde aquela noite em Hybern. 

Jurian havia renascido pelo Caldeirão através de seus odiosos restos, os que Amarantha usara como troféu por quinhentos anos, sua alma aprisionada e consciente de tudo ao redor com o seu olho, magicamente preservado.

 Ele era louco – já tinha enlouquecido há muito tempo, antes mesmo do rei de Hybern o ter ressuscitado para guiar as rainhas humanas por um caminho de ignorância subserviência.

 Tamlin e Lucien sabiam. Sabiam e tinham visto aquele brilho nos olhos de Jurian.

 Mas... Eles pareciam não se importar completamente que o rei de Hybern possuía o Caldeirão – que era capaz de rachar o mundo no meio. Começando com a muralha. A única coisa que se interpunha entre os já reunidos exércitos Feéricos letais e as vulneráveis terras humanas abaixo.

Não, aquela ameaça não parecia manter Tamlin ou Lucien acordados à noite. Ou de convidar esses monstros para sua casa.

Tamlin me prometera, quando retornei, que eu ficaria a par de cada planejamento, de cada reunião. E ele tinha cumprido sua palavra e tinha dito que Jurian chegaria em dois dias com dois outros comandantes de Hybern e eu estaria presente no momento.

E de fato eles desejavam investigar a muralha, buscar por um ponto perfeito para que pudessem render ao Caldeirão, assim que ele tivesse recuperado suas forças.

Ter transformado minhas irmãs em Feéricas tinha, aparentemente, sugado suas forças.

Minhas presunções sobre isso tinham durado pouco.

Minha primeira tarefa: descobrir onde eles pretendiam atacar e quanto tempo levaria para que o Caldeirão recobrasse sua força total. Então passar a informação para Rhysand e os outros.

Tomei cuidado extra ao me vestir naquele dia, depois de um jantar abastado com uma Ianthe “cheia de culpa” que tomara todo caminho possível para beijar nossos traseiros, o meu e o de Lucien. A sacerdotisa aparentemente queria esperar até que os comandantes de Hybern estivessem acomodados para fazer sua entrada. Ela arrulhou algo sobre querer que eles tivessem a oportunidade de nos conhecer antes que ela interrompesse o encontro. Mas um olhar para Lucien e eu compreendi que ele concordava comigo: ela havia planejado alguma entrada gloriosa.

Fazia pouca diferença para mim – para meus planos.

Planos que eu mandara pelo laço da parceria na manhã seguinte, palavras e imagens tropeçadas ao longo de um corredor de noite.

Não ousava a usar o laço com muita frequência. Havia me comunicado com Rhys apenas uma vez desde que chegara ali. Uma única vez, nas horas posteriores à minha entrada no antigo quarto e espiar o que os espinhos haviam conquistado.

Foi como se tivesse gritado à uma grande distância, como falar debaixo d’água. Estou a salvo e bem. Havia disparado pelo laço. Contarei o que sei em breve. Esperei, deixando que as palavras viajassem na escuridão. Então, perguntei: eles estão bem? Estão feridos?

Não me lembrava de o laço entre nós ser tão difícil de ouvir, mesmo quando eu ainda morava nesse lugar e ele costumava se certificar de que eu estava respirando, que meu desespero ainda não tinha me engolido por inteiro. Mas a resposta de Rhys veio um minuto depois:

Eu te amo. Eles estão bem, estão se curando.

E foi isso.

Como se fosse tudo que ele pudesse ajeitar. Havia voltado para meus novos aposentos, trancado a porta, e encapsulado todo o ambiente numa bolha dura de ar para manter qualquer cheiro das minhas lágrimas silenciosas, enquanto eu me enrolava num canto do banheiro.

Já tinha sentado nessa posição e observado as estrelas durante longas horas da noite. Agora eu olhava para o céu sem nuvens além das largas janelas, para os pássaros cantando uns para os outros e queria rugir.

Não ousara pedir mais detalhes sobre Cassian e Azriel, ou minhas irmãs – apavorada por saber o quão ruim podia ser. E com o que eu faria se seus processos de cura dessem errado. Sobre a fúria que liberaria sobre essas pessoas. 

Se curando. Vivos e se curando. Me lembrava disso todos os dias.

Mesmo quando ainda ouvia seus gritos e sentia o cheiro de seu sangue.

Mas não havia pedido mais. Não arriscara tocar o laço além daquela vez.

Não sabia se alguém podia monitorar tais coisas – mensagens silenciosas entre parceiros. Nem quanto do laço de parceria poderia ser cheirado, e eu já estava jogando um jogo bastante perigoso com isso. Todos acreditavam que havia sido cortado, que o cheiro de Rhys que ainda permanecia em mim era porque ele plantara o cheiro dele em mim. Acreditavam que com o tempo, com a distância, o cheiro desapareceria. Semanas ou meses talvez.

E quando ele permanecesse, quando não desaparecesse... Seria aí que teria de atacar, com ou sem a informação de que precisava.

E havia a possibilidade de que me comunicar pelo laço acentuava o cheiro... tinha de minimizar o número de vezes em que o usava. Mesmo que não escutasse Rhys, mesmo que não ouvisse sua risada esperta e divertida... eu escutaria aquilo de novo, eu me prometia de novo e de novo. Eu veria aquele sorriso torto.

E me peguei pensando de novo na dor que vira em seu rosto na última vez que o vira, coberto com o sangue de Azriel e Cassian, enquanto Jurian e os dois comandantes de Hybern atravessavam para a entrada de cascalho no dia seguinte.

Jurian vestia a mesma armadura leve de couro, seu cabelo castanho chicoteando seu rosto na tempestuosa brisa primaveril. Ele nos espiou de pé no mármore branco dos degraus da entrada da mansão e seu rosto se contorceu num sorriso presunçoso.

Forcei gelo para minhas veias. A frieza de uma corte que eu jamais pora os pés antes. Mas eu usava o presente de seu mestre, transformava a raiva que ardia em uma calma gélida enquanto Jurian caminhava até nós, com uma mão no punho de sua espada.

Mas foram os dois comandantes- um macho e uma fêmea – que colocaram medo argênteo em meu coração.

Pareciam Grão-Feéricos. A pele do mesmo matiz róseo e o cabelo da mesma tinta negra que o Rei. Mas era o vazio, a falta de sentimento em seus olhos que saltavam aos meus. Uma falta de emoções afiada por milênios de crueldade.

Tamlin e Lucien ficaram rígidos ao mesmo tempo quando Jurian pisou os pés na escada. O comandante humano sorriu “Você parece melhor do que na última vez que te vi.”  Pus meus olhos nele e não disse nada.

Jurian fungou e fez um gesto para os companheiros adiante.

- Permitam-me apresentar-lhes suas Altezas, Príncipe Dagdan e Princesa Brannagh, sobrinho e sobrinha do rei de Hybern.

Gêmeos. Talvez ligados por laços de poder e mentais.

Tamlin pareceu se lembrar que aqueles eram agora seus aliados e marchou para baixo das escadas. Com Lucien atrás. 

Ele nos vendeu - vendeu toda Prythian por mim. Pra me trazer de volta.

Fumaça se enroscou em minha boca e eu forcei gelo para ela. 

Tamlin inclinou a cabeça para o príncipe e a princesa “Bem-vindos a minha casa. Temos quartos preparados para todos.”

 - Meu irmão e eu devemos ficar no mesmo cômodo. – A princesa disse, sua voz enganadoramente leve, quase infantil. A total falta de sentimento, a total autoridade não parecia nada.

Podia quase sentir o sarcasmo cozinhando em Lucien. Mas desci os degraus da escada e disse, sempre a senhora dessa casa e desse povo, que Tamlin esperava felizmente que eu abraçasse.

 - Podemos fazer adaptações facilmente.

O olho de metal de Lucien se apertou e olhou pra mim, mas me mantive impassível enquanto os olhava. Para meus inimigos, qual dos meus amigos os encararia no campo de batalha?

Será que Cassian e Azriel tinham se curado o suficiente para lutar? Para sequer segurar uma espada? Não me permita perdurar nesse pensamento – Em como Cassian havia gritado quando suas asas eram retalhadas. 

Princesa Brannagh me examinou: o vestido cor de rosa, o cabelo cheio de cachos que Alis havia trançado e prendido no topo da cabeça com uma tiara, o rosa pálido das pérolas nas minhas orelhas.

Um pacotinho adorável e inofensivo, perfeito para um Grão-Senhor montar quando quisesse.

Os lábios de Brannagh se curvaram quando olharam para os olhos do irmão. O príncipe pensara o mesmo, a julgar pelo grunhido que emitira.

Tamlin rosnou devagar em aviso “Se já terminaram de olhar pra ela, podemos prosseguir para os nossos negócios”

Jurian soltou um riso e foi subindo as escadas, sem se importar se tinha tido permissão.

- Eles estão curiosos. - Lucien endureceu diante da imprudência do gesto e das palavras “Não é todo século que a posse de uma fêmea contestada dispara uma guerra. Especialmente uma com tantos... Talentos.”

Somente me virei e segui seus passos.  “Talvez, se tivesse se importado em ir à guerra por Myriam, ela não o teria deixado pelo príncipe Drakon.”

Uma onda pareceu percorrer Jurian. Tamlin e Lucien ficaram rígidos às minhas costas, divididos entre monitorar minhas trocas com Jurian ou escoltar os príncipes de Hybern para a casa. Trocas sobre minhas explicações sobre a rede de espiões de Azriel ser muito bem treinada, nós limpamos quaisquer servos não necessários, cuidadosos sobre olhos e ouvidos espiões, apenas os mais fieis haviam permanecido. 

Claro que eu esqueci de avisar que Azriel havia retirado seus espiões há semanas, as informações não valiam suas vidas, ou que servia apenas aos meus propósitos ter menos gente de olho em mim. 

Jurian estacou no topo das escadas, seu rosto uma máscara de morte cruel enquanto eu dava os últimos passos em sua direção. “Cuidado com o que você fala, garota.”

Eu sorri, passando ligeira “Ou o que? Você vai me jogar no Caldeirão?”

Me dirigi para as portas de entrada, ladeando a mesa que ficava no centro do salão, com o vaso de flores que se esticava pra tocar o candelabro. Bem ali, apenas a uns metros de distância, eu tinha me tornado uma bola de terror e desespero há todos aqueles meses. Bem ali, no centro da casa, Mor havia me pegado e carregado para fora dessa casa, para liberdade.

 - Aqui está a primeira regra dessa visita. - Eu disse a Jurian sobre meu ombro, enquanto caminhava na direção da sala de jantar. “Não me ameace dentro de minha própria casa.”

A postura. Soube logo após que havia funcionado.

Não em Jurian, que agora brilhava enquanto tomava seu assento à mesa. Mas sobre Tamlin, que roçara os nós do dedo em minha bochecha enquanto passava por mim, sem desconfiar do quão cuidadosamente eu escolhera aquelas palavras, como eu havia jogado a isca para Jurian e ele me servira a oportunidade de bandeja. Aquele era meu primeiro passo: Fazer Tamlin acreditar, acreditar de verdade, que eu o amava e àquele lugar e todos que nele viviam.

Para que ele não suspeitasse de nada quando eu os colocasse uns contra os outros.

***

O príncipe Dagdan cedia a todos os desejos e ordens de sua irmã. Como se ele fosse a lâmina com a qual ela cortava pelo mundo. 

Ele lhe servia os drinks, cheirando-os primeiro, selecionava os melhores pedaços de carne das bandejas e os arranjava de maneira arrumada em seu prato. Sempre deixava que ela respondesse e nunca lhe olhava com mais do que dúvida nos olhos. 

Uma alma em dois corpos. E do jeito que se olhavam, em trocas silenciosas, eu me perguntava se talvez... talvez eles fossem como eu. Daemati.

Meus escudos mentais tinham sido uma muralha de adamantio negro desde que chegara. Mas enquanto jantávamos e os longos momentos de silêncio se tornavam mais frequentes que as conversas, me peguei avaliando-os.

 - Iremos para a muralha amanhã. - Brannagh estava dizendo a Tamlin. Mais uma ordem do que um pedido. “Jurian irá conosco. Requeremos sentinelas que saibam onde ficam localizados os buracos.”

Só de pensar que eles estariam tão perto de terras mortais... Mas minhas irmãs não estavam mais lá. Não, minhas irmãs estavam em algum lugar do vasto território de minha corte, protegidas por meus amigos. Mesmo que meu pai retornasse dos seus negócios no continente em um mês ou dois; eu ainda não imaginara como contaria a ele. 

 - Lucien e eu podemos escolta-los. - Eu ofereci.

Tamlin me olhou de sopetão. Eu esperei pela recusa, pelo corte.

Mas, aparentemente, o Grão-Senhor havia aprendido sua lição. Ele estava, de fato, inclinado a tentar, e então meramente fez um gesto para Lucien: “Meu emissário conhece a muralha tão bem quanto qualquer sentinela”

Você está deixando eles fazerem isso. Está racionalmente permitindo que eles derrubem a muralha e cacem os humanos do outro lado. As palavras se enrolaram e chiaram em minha boca.

Mas me obriguei a dar a Tamlin um aceno afirmativo lento e ligeiramente insatisfeito de cabeça. Ele sabia que eu jamais ficara contente com isso – a garota que ele acreditava que havia retornado pra ele sempre protegeria as terras mortais. Mesmo que ele acreditasse que eu suportaria isso por nós, por ele. Mesmo que ele acreditasse que Hybern não se banquetearia nos humanos assim que a muralha caísse, que eles teriam somente seus territórios absorvidos pelo nosso.

 - Partiremos após o café da manhã. - Eu disse à princesa e adicionei à Tamlin, “E adicionaremos alguns sentinelas conosco”.

Seus ombros relaxaram com isso. Me perguntava se ele ouvira falar que eu defendera Velaris. Que eu protegera o Arco-Íris contra uma legião de bestas como o Attor. Que eu havia matado o Attor, brutal e cruelmente, pelo que ele havia feito comigo e com os meus. 

Jurian questionou Lucien com a franqueza de um soldado “Sempre me perguntei quem fez esse olho depois que ela arrancou o seu”

Não se falava de Amarantha aqui. Nunca havíamos permitido sua presença naquela casa. E aquilo tinha me sufocado por aqueles meses que vivi aqui depois de Sob a Montanha; tinha me matado dia após dia, enquanto tentava enfiar mais fundo a dor e aqueles medos.

Por uma batida de coração eu pesei quem eu era e quem eu deveria ser agora. Me curando devagar – Emergindo de volta para a garota que Tamlin havia alimentado e amado antes que Amarantha torcesse meu pescoço depois de me torturar por três meses.

Lucien simplesmente olhou duro para Jurian enquanto os príncipes reais de Hybern olhavam impassíveis.

- Tenho uma amiga de longa data na Corte Diurna. Ela é habilidosa com funilaria, mistura magia com maquinário. Tamlin a fez fazer pra mim, sob um grande risco.

Um sorriso odioso veio de Jurian. “Sua pequena parceira tem uma rival?”

 - Minha parceira não é da sua conta.

Jurian deu de ombros. “Não deveria ser da sua também, considerando que, a essa altura, ela deve estar sendo fodida por metade do exército Illyriano.”

Tinha quase certeza que tinham sido os séculos de treinamento de Lucien que o impediram de pular a mesa e rasgar a garganta de Jurian. Mas foi o rosnado de Tamlin tremendo as taças.

- Você vai se comportar como um convidado nesta casa Jurian, ou o colocarei para dormir nos estábulos como os outros animais.

Jurian apenas bebericou o vinho.

- Por quê devia ser punido por apenas dizer a verdade? Nenhum dos dois estava na guerra quando as minhas forças se aliaram com os brutos illyrianos. -  Um olhar para os dois príncipes de Hybern. “Suponho que vocês tenham tido o prazer de lutar contra eles”

 - Mantivemos as asas de seus generais como troféus. - Disse Dagdan com um pequeno sorriso.

Precisei de cada pedaço de concentração para não olhar para Tamlin. Para não questionar sobre o paradeiro dos dois pares de asas que seu pai tinha mantido como troféus depois de ter assassinado a mãe e a irmã de Rhys.

Penduradas no estúdio, Rhys havia dito.

Mas não havia encontrado nenhum traço quando saíra à procura quando retornei pra cá, sob a desculpa de explorar a casa num dia tedioso de chuva. Os cômodos não guardavam nada. Nem baús, nem caixas, nem quartos trancados continham aquelas asas.

Os dois pedaços de cordeiro assado que eu forçara garganta abaixo se rebelaram contra mim. Mas qualquer pista de desgosto teria sido justa para o que afirmara o príncipe de Hybern. Jurian de fato sorrira para mim enquanto cortava um pedaço de cordeiro.

- Você sabe que lutamos juntos, não? Eu e seu Grão-Senhor. Seguramos as linhas contra os Leais, batalhamos lado a lado, até que a imundice chegasse em nossas canelas. 

 - Ele não é o Grão-Senhor dela. - Disse Tamlin com uma doçura enervante. 

  Jurian ronronou pra mim “Ele deve ter lhe dito onde ele escondeu Myrian e Drakon” 

 - Eles estão mortos. - Disse simplesmente.

 - O Caldeirão diz o contrário.

Medo frio se alojou em meu estômago. Ele havia tentado sozinho, ressuscitar Myriam pra ele. E não a tinha encontrado entre os mortos.

 - Me disseram que havia morrido. - Disse de novo, tentando soar entediada, impaciente. Peguei outro pedaço do cordeiro, tão sem gosto comparado aos sabores dos ricos temperos de Velaris.

 - Achei que tivesse coisa melhor pra fazer Jurian, do que ficar obcecado atrás de uma mulher que o largou.

Seus olhos brilharam com a loucura de quinhentos anos enquanto ele espetava pedaços de petisco de carne com seu garfo.

- Dizem que você já estava fodendo Rhysand antes mesmo de largar o seu homem.

- Basta! - Grunhiu Tamlin

Mas então eu senti. Senti a batida contra minha mente. Vi o plano, claro e simples: Nos aborrecer, nos distrair, enquanto os dois príncipes escorregavam pra nossas mentes.

A minha estava blindada, mas a de Tamlin e a de Lucien...

Estiquei meu poder beijado pela noite, espalhando-o como uma rede e eu de fato encontrei dois tendões oleosos, saltando para as mentes de Tamlin e Lucien, como se de fato fossem duas lanças prontas para serem arremessadas do outro lado da mesa em suas direções. 

Eu rebati. Dragdan e Brannagh bateram com as costas nas cadeiras, como se eu de fato tivesse lançado um golpe físico. Enquanto seus poderes se batiam agora contra uma parede de adamantio negro que circundava a mente de Lucien e Tamlin.

Eles me olharam com seus olhos negros. Eu sustentei de volta o olhar. 

 - Algo errado? - Tamlin perguntou e eu percebi o quão quieto tinha ficado.

Fiz uma ótima interpretação de confusão dobrando minhas sobrancelhas.

- Nada. - Ofereci meu melhor sorriso para os príncipes. “Suas altezas devem estar cansadas da longa viagem.” E por um bom tempo eu busquei por suas mentes, longas muralhas de osso branco.

 Eles recuaram enquanto eu raspava garras negras contra seus escudos mentais, raspando fundo.

O tiro de aviso me custara uma lenta e pulsante dor de cabeça nas têmporas. Mas apenas voltei minha atenção para minha comida, ignorando a piscada de Jurian.
Ninguém disse mais uma palavra durante o resto da refeição.

3 comentários: