PART
II
Cursebreaker
CHAPTER
11
O frio foi o que me atingiu primeiro.
Frio vivo, rodeado com coisas podres.
No crepúsculo, o mundo na frente da pequena entrada da
caverna um padrão de vermelho, dourado, marrom e verde, as arvores grossas e
velhas, o chão musgoso estava misturado com pedras e pedregulhos que criavam
grandes sombras.
Saímos, com laminas nas mãos, mal respirando além de
fio de ar.
Mas não tinha nenhuma sentinela da Corte Outonal
guardando a entrada do reino de Beron – pelo menos nenhum que a gente pudesse
ver ou sentir.
Sem minha magica, eu estava cega de novo, incapaz de
trançar uma rede com minha consciência pelas arvores antigas e vibrantes para
sentir traço de mentes de feéricos por perto.
Completamente inútil. Foi assim que eu era antes. Como
eu sobrevivi tanto tempo sem isso... Eu não queria nem considerar.
Andamos suaves como gatos para o musgo, pedra e para a
floresta, nossas respirações virando espirais a nossa frente.
Continuamos andando, indo para o norte. Rhys agora já
teria percebido que nosso laço estava na escuridão – estava provavelmente
tentando descobrir se eu tinha planejado isso. Se valia a pena revelar nossos
planos para me encontrar.
Mas ate que ele fizesse... Até que ele pudesse me
escutar, me achar... eu tinha que continuar me mexendo.
Então eu deixei Lucien liderar o caminho, desejando
que eu pelo menos fosse capaz de alterar meus olhos para algo que pudesse
enxergar na floresta que estava escurecendo. Mas minha magica ainda estava
parada e congelada. Um muleta que eu virei completamente dependente.
Escolhemos nosso caminho pela floresta o frio piorando
com cada raio de sol que ia embora.
A gente não tinha se falado desde que entramos na
caverna entre as cortes. Pela rigidez dos ombros dele, o ângulo árduo do
maxilar dele enquanto continuávamos em silêncio, velocidade constante, eu soube
que somente nossa necessidade por discrição que manteve o fervilhar de
perguntas dele longe.
A noite estava completamente em cima de nos, a lua
ainda a aparecer, quando ele nos levou a uma outra caverna.
Eu hesitei na entrada.
Lucien mal falou a voz sem emoção e fria como o ar,
“Não leva pra lugar algum. Faz uma curva no final, vai nos manter fora de
vista.”
Mesmo assim, deixei ele entrar primeiro.
Cada membro e movimento se tornaram lerdo, dolorido.
Mas eu o segui para dentro da caverna e pela curva que ele indicou.
Paralisada como uma pedra, eu me vi encarando um
acampamento.
A vela que Lucien acendeu estava numa saliência de
pedra natural, e no chão perto dela, tinha três colchonetes e velhos
cobertores, cobertos por folhas e teias de aranha. Um pequeno lugar para montar
uma fogueira ficava no centro de tudo, o teto acima dele carbonizado.
Ninguém esteve lá em meses, anos.
- Eu costumava ficar aqui quando estava caçando. Antes
– de ir embora. - Ele disse, examinando um empoeirado livro com capa de couro
abandonado no topo da saliência de pedra do lado da vela. Ele abaixou o livro
com uma batida. “É só durante a noite. Vamos achar algo pra comer de
manhã.”
Eu levantei o colchonete mais próximo a mim e bati
nele algumas vezes, folhas e nuvens de poeira voando dele antes de eu o colocar
de volta no chão.
- Você realmente planejou isso. - Ele finalmente
falou.
Eu sentei no meu colchonete e comecei a verificar as
coisas na minha mochila, tirando as roupas mais quentes, a comida e as
provisões que a própria Alis colocou lá dentro. “Sim.”
- Isso é tudo que você tem a dizer?
Eu cheirei a comida, me perguntando se tinha Faebane.
Podia estar em tudo. “É muito arriscado comer.” Eu admiti fugindo da pergunta
dele.
Lucien não ia aceitar. “Eu sabia. Eu sabia no momento
que você começou a brilhar em Hybern. Eu tenho uma amiga na Corte Crepuscular
com o mesmo poder – a luz dela é idêntica. E não faz nada das merdas que você
mentiu que fazia.”
Eu empurrei minha mochila para fora do colchonete.
“Então porque não contar pra ele? Você era o cachorro leal dele além de
qualquer outra coisa.”
Os olhos dele pareceram ferver. Como se estar nas
terras dele trouxesse os poderes fundidos nele para a superfície, mesmo com o
amortecimento do próprio poder.
- Bom saber que, pelo menos, a máscara caiu.
De fato, eu deixei ele ver tudo – não alterei ou mudei
minha face para nada além de indiferença.
Lucien bufou.
- Eu não contei para ele por dois motivos. Primeiro,
pareceu como chutar um homem que já estava no chão. Eu não podia tirar aquela
esperança dele. - Eu revirei meus olhos. “Segundo” ele continuou, “Eu sabia que
se eu tivesse certo e tivesse te desmascarado, você daria um jeito para que eu
nunca mais a visse.”
Minhas unhas penetraram a palma da minha mão forte o
suficiente pra machucar, mas eu continuei sentada no colchonete enquanto
mostrei meus dentes para ele.
- E é por isso que você está aqui. Não porque é certo
e ele sempre esteve errado, mas só para que você consiga pegar o que te é
devido.
- Ela é minha parceira e esta nas mãos de meu inimigo-
- Eu deixei claro desde o inicio que Elain esta segura
e sendo cuidada.
- E eu devo acreditar em você.
- Sim. - Eu sibilei. “Você deve. Porque se eu
acreditasse por um segundo que minhas irmãs estão em perigo, nenhum Grão Senhor
ou rei poderia me impedir de ir salva-las.”
Ele só balançou a cabeça, a luz da vela dançando no
cabelo dele.
- Você tem a ousadia de perguntar minhas prioridades
sobre Elain – mas ainda, qual foi o seu motivo onde eu estava no meio? Você
planejou me poupar do seu caminho de destruição por causa de uma genuína
amizade ou simplesmente pelo medo do que poderia acontecer com ela?
Eu não respondi.
- Bem, qual era seu grande plano pra mim antes da
Ianthe interromper?
Eu puxei uma linha solta do colchonete. “Você teria
ficado bem.” Foi tudo que eu disse.
- E o Tamlin? Você planejou desmembrar ele antes de ir
embora e simplesmente não teve a chance?
Eu arranquei a linha solta do colchonete. “Eu debati a
opção.”
- Porém?
- Porém eu acreditei que deixar a corte dele entrar em
colapso em volta dele era uma punição melhor. Certamente mais longo que uma
morte fácil. - Eu balancei o conjunto de facas de Tamlin, o couro arrastando no
chão duro de pedra. “Você é o emissário dele – certamente você percebeu que
cortar a garganta dele, mesmo sendo satisfatório, não nos daria muitos aliados
nessa guerra.” Não, daria muitas aberturar pra Hybern enfraquecer a
gente.
Ele cruzou os braços. Cavando para uma boa e longa
briga. Antes que ele pudesse começar eu o interrompi “Eu estou cansada. E
nossas vozes ecoam. Vamos discutir quando não podermos ser pegos e
mortos”
O olhar dele era brando.
Mas eu o ignorei enquanto fazia um ninho no colchonete
e me deitava, o material fedendo a poeira e podridão. Eu puxei minha capa sobre
mim, porém não fechei meus olhos.
Eu não ousei dormir – não quando ele podia mudar de
ideia. Ainda assim, só deitada, não me mexendo nem pensando... Algum aperto do
meu corpo relaxou.
Lucien apagou a vela e eu escutei os sons dele se
arrumando para dormir também.
- Meu pai vai te caçar por ter pegado os poderes dele
se ele descobrir. - Ele falou na escuridão gelada. “E vai te matar por ter
aprendido a manuseá-lo.”
- Ele pode entrar na fila. - Foi tudo que eu
respondi.
***
Minha exaustão era um cobertor sobre os meus sentidos
enquanto uma luz cinza manchava as paredes da caverna.
Eu passei a maior parte da noite tremendo, pulando a
cada estalado e som que vinha da floresta que estava do lado de fora, vivamente
consciente a cada movimento de Lucien no colchonete dele.
Pela expressão abatida no rosto enquanto ele sentava,
eu soube que ele também não dormiu, das duas uma, talvez se perguntando se eu o
abandonaria. Ou se a família dele acharia a gente primeiro. Ou a minha.
Avaliamos um ao outro.
- O que agora? - Ele perguntou, esfregando uma mão
pelo rosto dele.
Rhys não tinha vindo – eu não tinha escutado um
sussurro dele pelo laço.
Eu testei minha magica, mas somente cinzas me
cumprimentaram. “Nós vamos para o norte,” eu disse. “Até que Faebane saia dos
nossos corpos e a gente possa atravessar.” Ou eu iria fazer contato com Rhys e
com os outros.
- A corte do meu pai é para o norte. A gente deve ir
para leste ou oeste para evita-la.
- Não. Leste nos leva para muito perto das fronteiras
da Corte Estival. E eu não vou perder tempo indo muito paara o oeste. A gente
vai direto para o norte.
- Os sentinelas do meu pai vão facilmente achar a
gente.
- Então a gente tem que permanecer sem ser visto. - Eu
disse me levantando.
Eu joguei o resto da comida que eu tinha na minha
mochila fora. Deixe para os catadores.
***
Andar pela Corte Outonal era como vasculhar uma caixa
de joias.
Mesmo com o potencial de ter alguém caçando a gente
agora, as cores eram tão vivas e que foi um esforço não ficar de boca aberta e
impressionada.
No meio da manhã, a geada tinha derretido por debaixo
do sol amanteigado revelando o que era adequado para comer. Meu estomago
rugia a cada passo, e o cabelo vermelho de Lucien brilhava como as folhas acima
de nos enquanto ele examinava a floresta por qualquer coisa que para encher
nossas barrigas.
A floresta dele, por sangue e por lei. Ele era um
filho dessa floresta, e aquele... Ele parecia moldado dela. Para ela. Até o
olho dourado.
Lucien eventualmente parou no córrego cor de jade que
passava por uma ravina flanqueada por granito, um local que ele clamou que já
foi cheio de trutas.
Eu estava no processo de construir uma vara de pescar
rudimentar quando ele caminhou para dentro do córrego, sem botas e com as
calças enroladas até os joelhos, e pegou uma truta com as próprias mãos. Ele
tinha amarrado o cabelo dele para cima, algumas mechas caindo no rosto dele
enquanto ele atacava de novo e jogava outra truta no bando de areia onde eu
estava tentando achar um substituto para o fio de pesca.
Permanecemos em silencio nos momentos em que o peixe
parou de se debater, os lados dele capturando e brilhando com todas as cores
acima de nos.
Lucien pegava eles pela cauda, como se ele tivesse
feito-o milhares de vezes. Ele provavelmente fez, bem nesse córrego.
- Eu vou limpar eles enquanto você acende o fogo.- Na
luz do dia o brilhar do fogo não seria notado. A fumaça porém... um risco
necessário.
Trabalhamos e comemos em silencio, o crepitar do fogo
oferecendo a única conversa.
***
Andamos para o norte durante cinco dias, mal trocando
uma palavra.
As terras de Beron eram tão vastas que levamos três
dias para entrar, ultrapassar, e deixa-las para trás. Lucien nos levou pelas
fronteiras, tenso a cada decisão e farfalhar.
A Casa da Floresta era um complexo espalhado, Lucien
me informou durante as poucas vezes que ousamos ou nos importamos em conversar
um com o outro. Foi construído entre arvores e pedras, e somente os níveis
superiores eram visíveis do chão. Abaixo, continha túneis com alguns andares
dentro da pedra. Porem, o fato de ser espalhado garantia o tamanho. Você
poderia andar de um lado da Casa até outro e poderia demorar metade de uma
manhã. Tinha camadas e círculos de sentinelas protegendo: nas arvores, no chão,
por cima das ripas de musgo e as pedras da própria Casa.
Nenhum inimigo aproximava o lar de Beron sem ele
saber. Nenhum ia embora sem a permissão dele.
Eu soube que tínhamos passado além do mapa de
conhecimento das rotas das patrulhas e estações de Lucien quando os ombros dele
perderam a firmeza.
Os meus já estavam para baixo.
Eu mal havia dormido, só me deixando dormir quando a
respiração de Lucien se transformava num ritmo diferente, mais pesado. Eu sabia
que eu não conseguiria manter assim por muito tempo mas sem a habilidade de
criar um escudo, de sentir o perigo se aproximando...
Eu me perguntei se Rhys estava me procurando. Se ele
tinha sentido o silencio.
Eu deveria ter enviado uma mensagem. Dizer a ele que
estava indo e como me encontrar.
A Faebane – isso era o porque o laço parecia tão
abafado. Talvez eu deveria ter matado Ianthe definitivamente.
Mas o que estava feito, estava feito.
Eu estava esfregando meus olhos doloridos, tomando um
momento para descansar em nosso novo abrigo: uma macieira, com gordas e
suculentas frutas.
Eu enchi minha mochila com o que eu coube lá dentro.
Dois miolos já estavam descartados atrás de mim, o doce cheiro de apodrecimento
tão calmante quanto o zumbido das abelhas que devoravam as maças caídas. Uma
terceira maça já estava iniciada e cheia de mordidas equilibradas estava em
cima de minhas pernas esticadas.
Depois do que a realeza de Hybern tinha feito, eu
deveria odiar maçãs para sempre, mas a fome sempre teve linhas borradas para
mim.
Lucien, sentado a alguns metros de distancia, jogou a
quarta maça dele nos arbustos enquanto eu mordia a minha.
- As fazendas e os campos são perto daqui. - Ele anunciou.
“Vamos ter que ficar fora de vista. Meu pai não paga bem pela colheita dele e
os fazendeiros precisam de qualquer moeda extra que eles consigam por as mãos.”
- Até vendendo a localização de um dos filhos do Grão
Senhor?
- Especialmente desse jeito.
- Eles não gostavam de você?
O maxilar dele endureceu. “Como o mais novo de sete
filhos, eu não era particularmente necessário ou desejado. Talvez tenha sido
uma coisa boa. Eu pude estudar por mais tempo do que meu pai permitiu que meus
irmãos estudassem antes de empurrar eles para fora da porta pra governar algum
território em nossas terra, e eu pude treinar o tanto de tempo que eu queria
porque ninguém achava que eu era burro o suficiente para matar meu caminho na
longa lista de herdeiros. Quando eu fiquei entediado de estudar e lutar... eu
aprendi o que eu podia sobre terras pelas pessoas. Aprendi sobre pessoas
também.”
Ele esticou seus pés com um gemido, o cabelo solto
dele cintilante enquanto o sol do meio do dia acima tonalizava tons de sangue e
vinho.
- Eu diria que isso soa mais como um Grão-Senhor do
que a vida de um ocioso e não desejado filho.
Um olhar longo e duro. “Você acha que foi por puro
ódio que fez meus irmãos querer me quebrar e me matar?”
Apesar de mim, um arrepio desceu pela minha coluna. Eu
terminei minha maçã e me levantei, arrancando um galho baixo. “Você poderia
querer – a coroa de seu pai?”
- Ninguém nunca me perguntou isso. - Lucien meditou
enquanto a gente andava desviando de maçãs caídas e apodrecidas. O ar estava
doce e grudento. “O derramamento de sangue que seria necessário para que eu
tenha a coroa não valeria a pena. Nem nessa corte apodrecida. Eu ganharia uma
coroa para governar somente pessoas gananciosas e duas faces.”
- Lorde das Raposas. - Eu disse, bufando enquanto me
lembrei a mascara que ele uma vez usou. “Mas você não respondeu minha pergunta
– sobre porque as pessoas aqui te denunciariam.”
O ar na frente ficou mais leve, e um campo dourado
ondulou a frente perto de uma arvore longe.
- Depois de Jesminda, eles fariam.
Jesminda. Ele nunca tinha falado o
nome dela.
Lucien passou entre as espigas balançantes. “Ela era
um deles.” As palavras mal eram audíveis sobre o barulho da cevada. “E quando
eu não a protegi... Foi uma traição a confiança deles também. Eu fugi para uma
das casas deles quando eu estava fugindo dos meus irmãos. Eles me entregaram
pelo o que eu deixei acontecer com ela.”
Ondas de ouro e marfim rodeavam a gente, o céu era um
puro e limpo azul.
- Eu não posso culpar eles por isso. - Ele
disse.
***
Nos cobrimos um vale fértil até o final da tarde.
Quando Lucien sugeriu que parássemos para a noite, insisti que continuássemos –
direto para o pé das montanhas cinza, montanhas cobertas de neve que marcavam o
inicio da parte dividida com a Corte Invernal. Se conseguíssemos chegar na
fronteira em um ou dois dias, talvez meus poderes já teriam retornado o
suficiente para que eu pudesse contatar o Rhys – ou atravessar o resto do
caminho para casa.
A escalada não foi fácil.
Grandes e íngremes pedregulhos formavam a subida,
rodeados por musgo e gramíneas brancas que assobiavam como uma cobra. O vento
soprava ao nosso cabelo, a temperatura caindo cada vez mais enquanto
subíamos.
Essa noite... talvez teríamos que arriscar uma
fogueira hoje de noite. Somente para ficarmos vivos.
Lucien estava ofegante enquanto escalávamos um enorme
pedregulho, o vale já bem para trás, a floresta um rio colorido atrás dele.
Tinha que existir uma passagem a alcança a algum ponto – fora de vista.
- Como você não está sem folego? - Ele perguntou sem
folego ao se puxar para uma plataforma lisa.
Eu empurrei uma mecha de cabelo que tinha soltado da
minha trança de volta pra trás, deixando meu rosto livre. “Eu treinei.”
- Eu percebi isso quando que você lutou com Dagdan e
depois saiu andando.
- Eu tinha o elemento da surpresa do meu lado.
- Não. - Lucien disse suavemente enquanto eu cheguei
perto de um apoio no próximo pedregulho. “Aquilo tudo foi você” Minhas unhas
reclamaram enquanto eu enterrei meus dedos numa pedra para me puxar para cima.
Lucien adicionou “Você me ajudou lá – com eles, com Ianthe. Obrigado.”
As palavras dele atingiram algo dentro de mim, e eu
fiquei feliz que o vento estava soprando a nossa volta, porque assim a
queimação nos meus olhos seria escondida.
***
Eu dormi – finalmente.
Com o crepitar do fogo na nossa mais nova caverna, o
calor e o relativo afastamento foram o suficiente para me derrubarem.
Em meu sonhos, eu acho que eu nadei na mente de
Lucien, como se uma pequena parte do meu poder estivesse retornando.
Eu sonhei com nosso fogo acolhedor, e as paredes
rochosas, o espaço era grande o suficiente para somente nos e a fogueira. Eu
sonhei com a uivante e escura noite que estava lá fora. E com todos os sons que
Lucien tão cuidadosamente fazia enquanto ele mantinha vigia.
A atenção dele em algum ponto foi para mim e se
demorou.
Eu nunca soube quão nova e humana eu parecia enquanto
dormia. Minha trança era uma corda sobre o meu ombro, minha boca levemente
aberta, meu rosto abatido com os dias de pouco descanso e comida.
Eu sonhei que ele tirou a capa dele e colocou junto
com meu cobertor.
E então eu me deixei ir, saindo da mente dele e meus
sonhos navegaram para outro lugar. Eu deixei um mar de estrelas me ninar.
***
Uma mão segurou meu rosto tão forte que o granido de
meus ossos me acordou.
- Olha o que nós encontramos. - Uma voz masculina fria
falou devagar.
Eu conhecia aquele rosto – o cabelo vermelho, a pele
pálida, o sorriso afetado. Conhecia o rosto dos outros dois machos na caverna,
com um Lucien rosnando preso embaixo deles.
Os irmãos dele.
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