segunda-feira, 8 de maio de 2017

CHAPTER 08

Tamlin andava de um lado para o outro na frente da lareira no seu estúdio. Cada passo mais afiado que uma lâmina.
- Eles são nossos aliados. - Ele grunhiu para mim, para Lucien, ambos sentados em cadeiras de braços que flanqueavam a peça da lareira.
- Eles são monstros. - Eu rebati. “Eles assassinaram três inocentes.”
- E você deveria ter deixado que eu sozinho cuidasse disso. - Tamlin disse com sua respiração irregular. “E não terem retaliado como crianças”, ele lançou um olhar para Lucien, “Eu esperava mais de você”.
- Mas não de mim? - Perguntei quieta.
Os olhos verdes de Tamlin como jades congeladas. “Você tem uma conexão especial com essa gente. Ele, não.”
- Esse é o tipo de coisa, - eu objetei, segurando com força os braços da cadeira, “que permitiu que uma muralha fosse a única solução entre nossos dois povos; porque feéricos olham para esse tipo de massacre e não se importam.” Eu sabia que os guardas lá fora podiam ouvir. Sabia que qualquer um que passasse perto poderia ouvir. “A perda de qualquer vida de qualquer um dos lados é uma conexão pessoal. Ou será que apenas Grão-Feéricos importam para você?”
Tamlin parou de sopetão e rosnou para Lucien.
- Saia. Lidarei com você depois.
- Não fale com ele desse jeito. - Eu chiei estacando de pé.
- Colocaram em risco essa aliança com essa acrobacia que fizeram –
- Bom. Eles podem queimar no inferno de tanto que me importo! - Eu gritei e Lucien se encolheu.
- Mandaram o bogge atrás deles! - Tamlin rugiu.
Não fiz muito além de piscar. E soube que os guardas de fato ouviram por causa de uma “tosse” de um deles lá fora, um som de choque abafado. Me certifiquei que aquelas sentinelas lá fora continuassem a ouvir quando disse:
- Eles aterrorizaram aqueles humanos – fizeram-nos sofrer. Achei que o Bogge seria uma das poucas criaturas que poderiam devolver o favor.
Lucien o havia rastreado – e havíamos atraído-o durante horas de volta até o acampamento. Bem onde Dagdan e Brannagh estavam se vangloriando das mortes. Eles conseguiram fugir, mas só depois do que soara como um bom bocado de gritos e lutas. Seus rostos continuaram exangues por horas depois, seus olhos brilhando com ódio toda vez que se dignavam a nos olhar.
Lucien limpou a garganta. Também se levantou.
- Tam – aqueles humanos não eram mais do que crianças. Feyre deu ordens aos príncipes para se afastarem. Eles ignoraram. Se deixarmos que Hybern nos atravesse, nos arriscamos a perder bem mais do que essa aliança. O Bogge os lembrou que não estamos sem nossas garras também.
Tamlin não tirou os olhos de mim quando disse para Lucien: 
- Saia. Daqui.
Havia violência o bastante nas palavras para que nem eu ou Lucien objetassemos dessa vez, enquanto ele saía da sala e fechava as portas duplas atrás dele. Lancei meu poder pelo hall, sentindo-o sentado no pé das escadas, escutando, da mesma maneira que as 6 outras sentinelas estavam.
Eu disse a Tamlin, minhas costas rígidas e retas, “Você não pode falar comigo assim. Você me prometeu que não agiria assim.”
- Você não tem ideia do que está em risco –
- Não fale comigo desse jeito. Não depois do que eu passei para voltar para cá, para você. Para nossa gente. Acha que qualquer um de nós está feliz de trabalhar com Hybern? Não acha que vejo isso em seus rostos? A questão de se eu valho a desonra que isso é?
Sua respiração ficou irregular de novo. Bom, queria atiça-lo. Bom.
- Você nos vendeu para me ter de volta. - Eu disse, baixo e frio. “Você nos prostituiu para Hybern. Me perdoe se eu estou tentando recuperar um pouco do que perdemos.”
As garras libertaram-se. Um rosnado feral se libertou dele.
- Eles caçaram e massacraram aqueles humanos por esporte. - Eu prossegui. “Você pode querer ajoelhar-se para Hybern, mas certamente eu não.”
Ele explodiu.
Móveis racharam e voaram, janelas quebraram e partiram.
E dessa vez eu não me protegi com um escudo.
A escrivaninha bateu contra mim, me jogando contra o livreiro, e cada pedaço onde carne e osso encontrou com a madeira latiu e doeu. Meus joelhos bateram contra o chão acarpetado e Tamlin estava, instantaneamente, à minha frente, com as mãos tremendo-
As portas abriram de vez.
- O que você fez? - Lucien suspirou, e o rosto de Tamlin mostrava pura devastação enquanto Lucien o empurrava para o lado. Ele deixou Lucien empurrá-lo para o lado e me ajudar a levantar. Algo molhado e quente desceu por minha bochecha – sangue, pelo cheiro.
- Vamos limpar você. - Lucien disse, um braço ao redor do meu ombro enquanto ele me tirava da sala. Eu mal o ouvia além do trinado nas minhas orelhas, o leve girar do mundo ao meu redor.
As sentinelas – Bron e Hart, dois dos Lordes guerreiros favoritos de Tamlin – estavam atônitos, com a atenção dividida entre o estúdio devastado e meu rosto.
Com bons motivos. Enquanto Lucien passava por um corredor dourado, eu contemplei o que criara tal horror. Meus olhos estavam vítreos, meu rosto pálido, talvez pelo arranhão logo abaixo da minha maçã do rosto, talvez uns 5 cm, e pingando sangue.
Poucos arranhões recheavam meu pescoço, minhas mãos. Mas eu mantive aquele poder limpo e curador – o poder do Grão-Senhor da Corte Crepuscular – longe de curá-los. Longe de esmaecê-los.
- Feyre. - Tamlin respirou atrás de nós. Eu parei, atenta para todos os olhos que observavam.
- Estou bem. - Eu sussurrei. “Me desculpe”, eu enxuguei o sangue que corria minha bochecha. “Estou bem”, eu disse a ele de novo.

Ninguém, nem mesmo Tamlin, parecia convencido. 
Se eu pudesse pintar aquele momento eu teria nomeado de Um retrato entre Iscas e Ciladas.

***

Rhysand mandou algumas palavras pelo laço no momento em que eu afundava na banheira.
Está machucada?
A pergunta estava esmaecida, o laço mais quieto e tenso do que tinha sido dias atrás.
Exausta, mas bem. Nada que eu não consiga lidar.
Apesar de que meus machucados ainda permaneciam. E não mostravam sinais de estarem se curando. Talvez eu tenha sido realmente boa em manter aqueles poderes curativos sob as rédeas.
A resposta veio demorada. E veio de uma vez, como se ele quisesse empacotar todas as palavras de vez pela distância que nos silenciava.
Eu sei mais do que dizer para você ser cuidadosa, ou para vir para casa. Mas eu quero você em casa. Logo. E eu o quero morto por colocar as mãos em você.
Mesmo com o território inteiro entre nós, sua raiva veio descendo pelo laço. 
Eu respondi, meu tom calmo, seco: Tecnicamente, foi a magia que me tocou, não as mãos.
A água do banho estava fria quando a resposta veio. Fico feliz que você tenha senso de humor para essas coisas. Eu certamente não.
Mandei de volta uma imagem minha mostrando minha língua pra ele.
Eu estava vestida quando veio a resposta dele.
Como a minha, não tinha palavras, mas uma mera imagem.
Como a minha, a língua de Rhys estava para fora. Mas estava ocupada fazendo outra coisa.

***

Fiz questão de passear no dia seguinte. Me certifiquei de que Bron e Hart estavam de vigília e os pedi para me escoltarem. Eles não disseram muito, mas senti seus olhares em cada pedaço meu enquanto passávamos pelos caminhos batidos nas florestas de primavera. Senti eles avaliando o corte em meu rosto, as manchas roxas por baixo de minhas roupas que me faziam chiar de vez em quando. Ainda não totalmente curada para minha surpresa – embora eu supus que isso funcionasse a meu favor.
Tamlin havia implorado por perdão no jantar de ontem – e eu havia dado a ele. Mas Lucien não havia falado com ele por toda noite.

Jurian e os príncipes de Hybern haviam reclamado do atraso, depois de eu ter admitido quieta que meus machucados tornaram difícil que eu os acompanhasse até a Muralha. Tamlin não tinha tido a coragem de sugerir que eles fossem sem mim, de me tirar daquele dever. Não quando ele vira as marcas roxas e sabia que se tivessem sido na humana, eu estaria morta.
E os príncipes, depois que Lucien e eu havíamos enviado a malicia invisível do Bogge sobre eles, haviam recuado. Por enquanto. Eu mantive meus escudos levantados – ao meu redor e dos outros, o esforço agora virara uma dor de cabeça constante com um certo toque frágil e fino de magia. A reprimenda na borda não havia feito muito – não, isso tinha só piorado o esforço depois que eu mandara meu poder através da muralha.
Eu convidara Ianthe para a casa, requerendo subitamente sua presença reconfortante. Ela chegara sabendo detalhadamente do que acontecera no estúdio – deixando convenientemente passar que Tamlin confessara as coisas à ela, implorando por absolvição da Mãe, do Caldeirão e de quem mais fosse. Falei sobre meu próprio perdão a ela naquela noite e fingi muito bem aceitar seus bons conselhos,  dizendo aos cortesãos e aos outros na nossa mesa cheia de gente naquela noite como nós tínhamos sorte de ter Tamlin e Ianthe protegendo nossas terras.
Honestamente, eu não sei como eles não ligaram uma coisa à outra.
Como nenhum deles viu minhas palavras como uma estranha coincidência, mas um desafio. Uma ameaça.
Aquela última e pequena ameaça.
Especialmente quando sete nagas invadiram os terrenos logo após a meia noite.
Eles foram despachados antes de sequer atingirem a casa – um ataque parado pela visão mandada pelo Caldeirão para a própria Ianthe.
O caos e os gritos acordaram todos nos terrenos. Eu fiquei em meu quarto, com os guardas abaixo de minha janela e do lado de fora de minha porta. O próprio Tamlin encharcado de sangue e ofegante veio me informar que os terrenos estavam seguros novamente. Que acharam as chaves dos portões com os naga e que lidaria com a sentinela que os havia perdido pela manhã. Um acidente aberrante, uma amostra final de poder de uma tribo que não tinha ficado gentil depois do reinado de Amarantha.
Todos nós salvos de um mal maior por Ianthe.
Nos reunimos do lado de fora do quartel na manhã seguinte, o rosto de Lucien pálido e esgotado, com círculos roxos sobre seu olho vítreo. Ele não retornara para o seu quarto naquela noite.
Do meu lado, os príncipes de Hybern e Jurian estavam silenciosos e sombrios enquanto Tamlin andava ante à sentinela, amarrado a dois postes.
- Você foi confiado em guardar esses terrenos e as pessoas nele. - Tamlin disse para o macho que tremia, já sem camisa. “Você foi encontrado não só adormecido na noite passada, como também foi o seu molho de chaves que havia dado como sumido originalmente.”, Tamlin rosnou devagar, “Você nega?”
- Eu... eu nunca caio no sono. Nunca aconteceu até agora. Eu devo ter cochilado por um minuto ou dois. - O sentinela ficou rijo, as cordas que o prendiam gemendo enquanto ele ficava tenso contra elas.

- Você colocou em risco a vida de todos nessa mansão.
E não podia ficar impune. Não com os príncipes de Hybern aqui, buscando por qualquer sinal de fraqueza. Tamlin ergueu uma mão. Bron, com o rosto pétreo, se aproximou entregando um chicote.
Todas as sentinelas, os guerreiros que mais ele confiara, mudaram. Alguns encarando Tamlin diretamente, alguns tentando não assistir o que estava por desenrolar.
Eu segurei a mão de Lucien. E não era inteiramente fingimento.
Ianthe pisou à frente, as mãos dobradas sobre seu estômago.
- Vinte chicotadas. E uma a mais, pelo perdão do Caldeirão. - Os guardas viraram para ela com olhares desagradáveis.
Tamlin desenrolou o chicote e ele tocou o chão.
Eu fiz meu movimento. Enviei meu poder para a mente do sentinela, libertando a memória que eu havia enrolado firme em sua cabeça. – libertei sua língua também.
- Foi ela. - Ele ofegou, apontando o queixo para Ianthe. “Ela pegou as chaves”.
Tamlin piscou – e todos naquele pátio olharam para Ianthe.
Seu rosto não fez muito mais do que recuar frente a acusação – a verdade que ele a havia entregado.
Estava esperando para ver como ela contra-atacaria minha amostra de poder no solstício, havia seguido seus movimentos o dia e a noite inteira. Com pouco tempo assim que eu havia deixado a festa, ela tinha ido ao quartel, usado um pouco de poder para fazer com que ele dormisse e então tomado as chaves. Então havia plantado seus avisos sobre as intenções de ataque dos naga... Depois que ela deu às criaturas as chaves do portão. 
Assim ela pôde soar o alarme na última noite. Assim ela pôde nos salvar da ameaça real.
Uma ideia inteligente – caso não tivesse servido exatamente para o que eu havia exposto.
Ianthe disse suavemente “Por que eu deveria ter a chaves? Eu os avisei do ataque”
- Você estava no quartel – eu vi você naquela noite. - O sentinela insistiu e virou os olhos implorando para Tamlin. Não era medo da dor que o movia, eu percebi. Não, as chicotadas teriam sido merecidas, ganhas e aturadas bem. Era o medo de ter a honra perdida. 
- Eu sempre pensei, Tamlin, que suas sentinelas teriam mais dignidade do que espalhar mentiras por aí para se pouparem de uma dor fugaz. - O rosto de Ianthe permaneceu sereno, como sempre.
Tamlin, em seu favor, avaliou a sentinela por um longo tempo.
Eu pisei à frente. “Eu ouvirei a versão dele”
Alguns dos guardas soltaram suspiros. Alguns me olharam com piedade e afeição.
Ianthe levantou seu queixo. “Com todo respeito, Minha Senhora, não é seu julgamento a ser feito”
E lá estava. A tentativa de me empurrar para baixo algumas cavilhas a mais.
E só porque a faria ver vermelho, eu a ignorei completamente e disse para a sentinela: “Eu ouvirei sua versão”.

Mantive meu foco nele, mesmo quando eu contava minhas respirações, mesmo enquanto eu rezava para que Ianthe pegasse a isca- 
- Acreditará na palavra de uma sentinela sobre a de uma Alta Sacerdotisa?
Meu nojo por suas palavras vomitadas não era inteiramente falso – mesmo que esconder meu sorriso fraco fosse um esforço. Os guardas se posicionaram ante ao insulto, ante ao tom de voz. Mesmo se eles não confiassem completamente na palavra da sentinela, foram pelas palavras dela somente que eles compreenderam que ela era culpada.
Eu olhei para Tamlin então – vi seus olhos afiarem-se também. Com compreensão. Iante havia protestado demais.
Oh, Ele estava bastante consciente que Ianthe talvez tenha planejado o ataque dos nagas para retomar qualquer pedaço de poder e influência – como salvadora dessas pessoas. 
A boca de Tamlin apertou-se em desaprovação.
Eu dei a eles um bom pedaço de corda. Supus que agora era o momento de ver se eles se enforcariam nela.
Eu desafiei mais um passo para frente, virando minhas palmas para Tamlin.
- Talvez tenha sido um erro. Não o tire de seu lugar – ou sua honra. Vamos ouvi-lo.
O olhar de Tamlin amaciou um pouco. Ele permaneceu em silencio, considerando.
Mas, atrás de mim, Brannagh bufou.
- Patético. - Ela murmurou, embora todos pudessem ouvir.
Fraco. Vulnerável. Pronto para conquista. Eu vi as palavras batendo no rosto de Tamlin, como se elas fossem portas se fechando para seu despertar.
Não havia outra interpretação – não para Tamlin.
Mas Ianthe me avaliou, ficando na frente da multidão, a influência que eu tinha mostrado que era capaz de roubar. Se ela admitisse a culpa... o que quer que ela tinha deixado viria desabar.
Tamlin abriu a boca, mas Ianthe o cortou.
- Existem leis que tem que ser obedecidas. - Ela me disse, gentil o bastante para que eu desejasse arrastar minhas unhas por seu rosto. “Tradições. Ele quebrou nossa confiança, deixou que nosso sangue fosse derramado por seu descuido. Agora ele procura acusar uma Alta Sacerdotisa por suas falhas. Isso não pode passar impunemente”, ela aquiesceu para Tamlin. “Vinte e uma chicotadas, Grão Senhor”
Eu olhava entre ambos, minha boca ficando seca.
- Por favor, somente ouça-o.
O guarda pendurado entre os postes tinha tanta esperança e gratidão nos olhos.
Com isso... com isso minha vingança se transformara em algo oleoso, algo estrangeiro e enjoado. Ele se curaria da dor, mas o golpe em sua honra... Isso também tiraria um pouco da minha também.
Tamlin me encarou, e então à Ianthe. Então ele olhou para os príncipes de Hybern – para Jurian, que cruzou os braços, o rosto indecifrável.
E, como eu apostara, a necessidade dele por controle, por força, ganhou.
Ianthe era uma aliada por demais importante para arriscar isolar. E a palavra de uma sentinela rasa... Não, não importava tanto quanto a dela.
Tamlin se voltou para a sentinela amarrada nos postes.
- Ponham o mordedor. - Ele ordenou quietamente a Bron.
Houve, por uma batida de coração, hesitação de Bron – o choque da ordem de Tamlin reverberara por ele inteiro. Por todos os guardas. Pelos que estavam ao lado de Ianthe – sobre eles. Suas sentinelas.
Aqueles que haviam ido para além da muralha, de novo e de novo, para tentar quebrar a maldição que o atingira. Que tinham ido de boa vontade e, de boa vontade, morreram caçados como lobos, por ele. E o lobo que eu derrubara, Andras... ele tinha ido de boa vontade também. Tamlin os havia mandado de novo e de novo, nem todos eles haviam voltado. Eles todos tinham ido de boa vontade, mas isso... Isso era seu agradecimento. Sua gratidão. Sua confiança.
Mas Bron fez como comandado, deslizando aquele pequeno pedaço de madeira na agora tremulante boca da sentinela.
A julgar pelo desdém mal contido nos rostos dos guardas, pelo menos eles sabiam o que havia acontecido – o que eles acreditavam que havia ocorrido: a Alta Sacerdotisa tinha orquestrado todo o ataque para se lançar como salvadora, oferecendo a reputação de um deles como o preço necessário. Eles não tinham ideia – nenhuma – que eu a instigara a fazer isso, empurrara e empurrara para revelar a cobra que ela era. O quão pouco ninguém com um título importava para ela. 
Como Tamlin a havia escutado sem questionar – até a falha.
Não foi muito fingimento quando eu coloquei a mão na garganta, retrocedendo um passo e então outro, até que o calor de Lucien estava contra mim, e eu me virei completamente para ele. As sentinelas estavam dimensionando Ianthe e os príncipes. Tamlin sempre havia sido um deles – lutado por eles.
Até agora. Agora Hybern. Até que ele colocasse esses monstros estrangeiros antes deles. Até que ele pusesse uma Alta Sacerdotisa manipuladora antes deles.
Os olhos de Tamlin estavam em nós, nas mãos que Lucien pusera nos meus braços para me manter firme, enquanto ele puxava o chicote para trás.
O barulho trovejante enquanto ele cortava o ar ressoou pelo quartel, pelos terrenos.
Pelas próprias fundações da Corte Primaveril.

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